A equipa do Gil Vicente está muito bem organizada e aplica muito bem a táctica 1-5-5 ou "autocarro-estacionado-em-frente-da-baliza"... Taparam todos os espaços com 11 jogadores atrás da bola, dentro do seu meio-campo e sem qualquer vontade de atacar. Mestres no "faz-tempo-que-este-árbitro-nem-que-eu-demore-5-minutos-a-marcar-o-pontapé-de-baliza-vai-mostrar-o-amarelo", espertos na provocação e no encosta para lá (que devia ter dado 4 ou 5 amarelos apenas na 1ªparte e não deu nem um).
Paulo Alves era um avançado mediano mas tornou-se num tipico treinador de ferrolho e trancas na porta, à espera de um milagre e sabedor de uma arbitragem matreira...
Posto isto e feitas as críticas ao adversário... confesso que o jogo de ontem foi dos mais fracos dos últimos tempos, fazendo regressar a equipa aos idos de Outubro e Novembro em que vencíamos sem grande convicção, com muito pulmão, alma mas pouca arte.
Ontem demorámos a perceber que sempre que atacávamos por uma das alas com 2/3 jogadores, o adversário tapava todos os caminhos com 4 ou 5. Se insístiamos pelo meio, então o Gil Vicente colocava 5/6 defesas no camiho da bola. Pelo ar faltou-nos engenho e precisão de passe (Aimar e Bruno César no banco, Gaitán completamente a Leste do jogo). Nolito sempre irreverente mas sozinho lá insistia, Cardozo e Rodrigo muito cercados na frente e sem espaço de manobra. Nas alas Maxi muito preso cá atrás e Emerson igual a si mesmo. Mesmo os do costume no miolo (Luisão, Garay, Witsel e Javi Garcia) pareciam lentos, previsíveis e até ansiosos. Como tal a primeira parte correu sem que se desatasse o nó e a impaciência crescia dentro e fora de campo...
Até que Nolito tira da cartola um passe enorme na cobrança de um livre, estudado, para o isolado Cardozo que teve tempo para escolher onde colocar a bola de cabeça. Estava aberto o ferrolho e sem sofrermos o habitual golo da praxe!
Mas em vez de carregarmos para o 2º golo e alguma tranquilidade, a equipa relaxou e pensou que o jogo estava feito. O Gil Vicente libertou-se da táctica ultra-defensiva e cresceu ameaçando a nossa baliza e fazendo o empate de forma bastante estranha mas sem surpreender. Mais valeu ao Benfica Artur para evitar o 1-2...
Começamos a 2ª parte empatados e sem argumentos para voltar a marcar. Jorge Jesus percebeu e mexeu na equipa. Aos 57m entra Pablo Aimar (Sr. Presidente, porque ainda não temos fechado o dossier da renovação???) o jogo muda de figura. Temos mais passes perigosos, mais oportunidades e começa a perceber-se que agora sim, temos argumentos. Antes do golo de Rodrigo, Javi dá lugar a Bruno César. O espanhol sacou um remate de longe (72m) que, com sorte, embateu num defesa e enganou o guarda-redes dos Barcelistas. E para que não acontecesse um novo empate, Aimar decidiu que estava na hora de marcar e aos 75m deu um ar da sua graça para em slalom parar apenas depois da bola estar no fundo das redes.
Depoi foi gerir, de forma bem feita, o resultado até porque o Gil Vicente já não tinha capacidade física para mais. Valeu o resultado numa noite de exibição fraca em que vencemos não pelo colectivo mas pelo valor de alguns dos nossos jogadores. Esperemos que seja apenas um mau jogo num momento de crescendo de forma que deve atingir o pico no início de Março (nem antes, nem depois).
Factos:
- Enquanto uns só ganham jogos contra equipas com 10 jogadores, o Benfica teima em vencer partidas em que alinha, desde o início, com menos 1... Emerson não é jogador para o Benfica!
- Gaitán não vai para Manchester nem que o relvado de AlvaLIDL se encha de girassóis... Quanto mais depressa meter isso na cabeça e perceber que (já) está num clube de topo, mais depressa regressa à forma que já mostrou
- Artur é grande, um dos melhores do mundo na sua posição... Segurem-no!!!
- A renovação de Aimar, neste momento, já nem devia ser assunto de conversa. Esta equipa precisa dele, dentro e fora de campo, como de pão para a boca...
- As contratações, este ano, foram todas no alvo: Witsel, Artur, Garay, Bruno César, Nolito, Rodrigo (já era nosso mas veio apenas este ano). Ok, Emerson é a excepção que confirma a regra
- Os árbitros andam mortinhos por nos fazer a folha. Ao mínimo pretexto sacam faltas e cartões contra nós e, no sentido inverso, todas as entradas mais duras e exageradas são alvo de todas as condescendências. Só nos cabe ganhar os jogos por muitos golos de diferença para que estes "juízes" não nos consigam prejudicar
- Temos público! 3 jogos numa semana e todos com nota máxima. Continuam a surgir uns "Asdrúbales" a assobiar a equipa e alguns jogadores mas no global o apoio tem sido excelente. Parabéns à equipa comercial do Sport Lisboa e Benfica que percebeu como encher o estádio em momentos de crise...
- O jogo do título vai ser o Benfica-Porto. Até lá é vencer todos os jogos para encarar esta partida calmamente na frente!
M.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
domingo, 14 de agosto de 2011
Quando perdemos...
Ontem soube a derrota...
Pelas expectativas de início de época, por ser o 1º jogo da Liga. Porque ganhar é a nossa ambção para todos os jogos. Mas principalmente porque uma equipa que quer ser campeã não pode estar a ganhar 0-2 e deixar que lhe marquem 2 golos. Nunca!!!
Quando perdemos fico num estado de alma que, digamos, mistura azia com algo parecido com não-me-digam-nada-não-me-perguntem-o-que-seja-porque-estou-pior-que-estragado. Acordo no dia seguinte com um amargo de boca e uma "telha" que não posso.
Hoje estou assim e vou continuar até se começar a antecipar o jogo com o Twente...
É doentio? Sim é... É racional? Nada... Tem remédio? Claro, basta ganhar o próximo!!!!
PS: Não me parece que tudo tenha sido mau e percebo as mexidas de JJesus. Em início de época, quis poupar Aimar quando o jogo parecia mais ou menos controlado... Podia ter dado certo mas não deu. Agora é fácil dizer mal, certo???
Pelas expectativas de início de época, por ser o 1º jogo da Liga. Porque ganhar é a nossa ambção para todos os jogos. Mas principalmente porque uma equipa que quer ser campeã não pode estar a ganhar 0-2 e deixar que lhe marquem 2 golos. Nunca!!!
Quando perdemos fico num estado de alma que, digamos, mistura azia com algo parecido com não-me-digam-nada-não-me-perguntem-o-que-seja-porque-estou-pior-que-estragado. Acordo no dia seguinte com um amargo de boca e uma "telha" que não posso.
Hoje estou assim e vou continuar até se começar a antecipar o jogo com o Twente...
É doentio? Sim é... É racional? Nada... Tem remédio? Claro, basta ganhar o próximo!!!!
PS: Não me parece que tudo tenha sido mau e percebo as mexidas de JJesus. Em início de época, quis poupar Aimar quando o jogo parecia mais ou menos controlado... Podia ter dado certo mas não deu. Agora é fácil dizer mal, certo???
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Once more into the breach, my friends!
"Once more unto the breach, dear friends, once more;
Or close the wall up with our English dead.
In peace there's nothing so becomes a man
As modest stillness and humility:
But when the blast of war blows in our ears,
Then imitate the action of the tiger;”
“Henrique V”, 3º Acto, Cena I - William Shakespeare
Durante a Guerra dos 100 Anos (1337 a 1453) entre ingleses e franceses, o Rei Henrique V (1386-1422) de Inglaterra reuniu um vastíssimo exército que, desembarcado na Normandia, permitir-lhe ia bater os franceses e reclamar o trono de França.
Os Franceses, em desvantagem numérica e vendo aquela força tremenda, abandonaram a guerra aberta e refugiaram-se nas suas cidades fortificadas, optando por tácticas de guerrilha.
Sem inimigo para combater directamente, Henrique V foi obrigado a cercar a cidade de Harfleur. Durante semanas o seu exército poderoso foi sendo desgastado numa guerra de cerco para a qual estava pouco preparado. A doença e o cansaço apoderaram-se das tropas. No auge da batalha e quando tudo parecia incerto, Henrique proferiu aquelas palavras e com aquele discurso moralizou as tropas que finalmente conquistaram a praça-forte francesa.
Algumas semanas mais tarde e novamente numa situação desesperada, os ingleses com os seus poderosos arcos bateram a pesada cavalaria francesa na batalha de Azincourt. E Henrique pôde regressar vitorioso a casa, com o trono de França garantido.
Para antecipar o primeiro jogo de campeonato não encontro analogia mais feliz com o momento que vivemos no Benfica. Temos um conjunto de jogadores fenomenais que em teoria, bate qualquer equipa do campeonato português. Para sermos equipa precisamos de mais tempo, para integrar novos jogadores e adaptar o conjunto às capacidades de cada um deles. Mas numa luta igual, não ficamos atrás de ninguém. Ora acontece que, tirando o FC Porto, nenhuma equipa comete a loucura de enfrentar, de igual para igual, o Benfica. Vão refugiar-se nas suas “muralhas”, defender o mais possível e espreitar o contra-ataque aproveitando algum desequilíbrio do momento. Quando estivermos cansados, fatigados e com menos atenção irão procurar desferir os seus golpes.
A força e a Mística da equipa não se vê quando começa o jogo ou quando somos 11 contra 10. É quando tudo parece incerto, quando jogamos com menos um jogador e ganhamos, quando estamos empatados para lá dos 90 minutos e marcamos. Aí sim, descobre-se a raça de que somos feitos!
Amanhã, quando entrarmos em campo contra o Gil Vicente, começamos uma longa guerra de 30 batalhas. 2700 minutos, 90 pontos possíveis contra 15 equipas que, contra o Benfica, se ultrapassam em esforço e capacidade. Somos o alvo a abater por todos. Vamos enfrentar estádios hostis, relvados com poucas condições, calor, chuva, frio e vento. Vamos ter árbitros maus e menos maus, outros assim-assim… Mas se em cada jogo formos humildes, lutadores, guerreiros, se colocarmos em campo a Mística do Benfica, os nossos valores e o que sabemos fazer melhor então ninguém nos vai parar.
Sou muito crítico das arbitragens e quem jogou futebol sabe que a acção de um árbitro pode desequilibrar uma partida mesmo sem se “enganar” nos critérios técnicos e disciplinares. Estou convencido que vamos ter muito que falar este ano sobre árbitros. Mas uma equipa que joga muito bem e marca mais 2 ou 3 golos por jogo que o seu adversário ultrapassa qualquer má arbitragem.
“Once more unto the breach, dear friends, once more…”
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