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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Hinos do Sport Lisboa e Benfica


 
Chegou recentemente ao meu conhecimento que os meios oficiais ou semi-oficiais do nosso clube estão, qual missão de evengelização, a tentar fazer passar uma nova canção, chegando ao ponto de o chamar de "novo hino".

Quero acreditar que isto não passa da iniciativa de alguns individuos de mau gosto, pois se de facto isto é uma coisa séria, e vão cometer a heresia de passar aquela bimbalhada no sistema de som do nosso estádio, algo vai mal no nosso clube.

O Sport Lisboa e Benfica tem 2 hinos oficiais:

"Avante p'lo Benfica", Musica de Alves Coelho e Letra do atleta e dirigente Felix Bermudes, foi apresentado em 1929, na comemoração dos 25 anos do nosso clube.

Este hino foi censurado pelo antigo regime (1942), na medida em que a expressão "Avante" do seu titulo e a conotação de alguns membros da Direcção da altura com a oposição ao regime mostrava-se incomoda, no entanto a letra é muito pouco "comunista" como se pode ver da quadra:

"Olhemos fitos essa Águia altiva,
Essa Águia heráldica e suprema,
Padrão da raça ardente e viva,
Erguendo ao alto o nosso emblema!"

O atribuir pela positiva da caracteristica "Heraldica" à nossa àguia e a referência ao "Padrão da raça", parece-me muito longe dessa veia politica.

Eis o hino e a letra: 



"Ser Benfiquista", Letra e musica de Paulino Gomes Junior, cantado pelo imortalizado Luis Piçarra, apresentado em 16 de Abril de 1953, num sarau de angariação de fundos.

Teve a aderência dos sócios e adeptos e ainda hoje todos o cantam. Até já mereceu recentemente a atenção do New York Times (http://www.nytimes.com/2012/03/27/sports/soccer/for-soccer-fans-showing-support-in-song.html).


Como se vê, estamos bem servidos de hinos, já nos basta as dezenas de musicas que os populares artistas vão fazendo, usando o nome Benfica para se promoverem (Iran Costa, Gentes do Kuduro, etc...), temos inclusivé uma sinfonia feita de raiz pelo grande benfiquista Maestro Victorino d'Almeida, não precisamos que nos imponham um hino novo.

O Benfica somos nós!

Por isso apelo a todos vós que não se deixem levar pela novidade (mesmo que seja imposta no sistema de som do nosso Estádio), o Sport Lisboa e Benfica tem vindo a perder a sua identidade, já aqui vos falei da tripeirização da forma como actuamos, todos sabemos que na direcção existe muita gente que não é do nosso clube. Não deixem que continue o reinventar do Benfica... Sem identidade, seremos "mais um".

Quem não tem passado, não tem futuro!
Honrem a nossa História!

Sport Lisboa e Benfica!
SEMPRE!!

HJB

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O meu lado da História...



15 de Março de 1994, Taça das Taças, no dia 1 do mesmo mês tínhamos recebido na Luz o Bayern Leverkusen e tinhamos empatado 1-1 (Empate conseguido com golo de Isaías aos 90 minutos), lá era preciso ganhar ou empatar por mais que 1.

Chegada a hora do jogo, deitei-me no sofá da sala e preparei-me para ver o Sport Lisboa e Benfica GANHAR...

Passados 24 minutos de ataque / contra-ataque e oportunidades de golo de parte a parte, Ulf Kirsten faz 1-0 para o Bayern. Pronto... é cedo, foi só um, nós damos a volta a isto... 

Nos minutos seguintes, mais oportunidades de parte a parte... várias... sempre de mão na cabeça...

Vem o intervalo e tudo está em aberto! No meio campo, em grande forma o menino/monstro Rui Costa, a espalhar classe em campo. Ajudava a dar confiança.

Aos 58 minutos,
Bernd Schuster faz 2-0. Pânico! Faltam 32 minutos e temos de marcar pelo menos 2, senão estamos perdidos. Torço-me no sofá, não tenho posição, grito com a televisão...

Minuto 59, Abel Xavier com um remate fora da área portentoso 2-1! Os festejos duram pouco... falta mais um senão o golo não vale de nada... Não foi preciso esperar muito, bola vai ao centro, é recuperada pelo Benfica, Canto... e 2-2! João Pinto! De cabeça?!?! 

Aí sim, deu para saltar e pular. É isto que precisava... agora é controlar...

Mas qual controlar?
Minuto 78, Kulkov isola-se pela direita do ataque e 2-3! Toma! Já está! Estou no céu...Adrenalina no máximo, já cheira a vitória e passagem para a ronda seguinte.

Não durou 2 minutos, minuto 80
Ulf Kirsten de cabeça no seguimento de um cruzamento 3-3. Pronto... ainda dá... defendam se faz favor... dá para acabar já o jogo?

Mas não dava, ainda faltavam 10 minutos e bastaram 2, minuto 82  Pavel Hapal, 4-3, no seguimento de um canto, estamos fora... Estou de rastos... Como é possível? Ainda há 4 minutos ganhávamos 2-3!

Já não sei como estar, se de pé, se sentado, se deitado... ainda há 8 minutos para jogar, mas será que chega? Precisamos de mais um!!

Minuto 85, 3 minutos depois, grande jogada de João Pinto que passa por dois adversários e serve Kulkov na área e GOLOOOOOO!! 4-4! Jogo de loucos! O coração bate forte demais... será que chega?

Chegou! Mas eu... eu ia morrendo... é que ia mesmo...

Ficam as imagens de um dos jogos da minha vida:





Precisávamos de ganhar ou empatar por mais de um e jogámos futebol de ataque desde o primeiro minuto, apesar do sofrimento, este jogo fica na História do Sport Lisboa e Benfica e ficou, para sempre, na cabeça dos seus adeptos.

Sport Lisboa e Benfica!
SEMPRE!

HJB

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Rapaz do Pijama às Riscas


O Rapaz do Pijama às Riscas é um filme de Mark Herman, baseado no romance de John Boyne. Conta a história de um rapaz alemão, Bruno, filho de um oficial alemão destacado de Berlim para ser comandante de um campo de concentração nazi. Descontente com a mudança da grande cidade para o campo, o rapaz alemão decide, contra vontade dos seus pais, explorar os terrenos em volta de sua casa. Descobre uma vedação de arame farpado e no outro lado um rapaz da sua idade, Shmuel, que veste um "pijama às riscas". Tornam-se amigos e todos dias se encontram para brincar, cada um do seu lado da vedação.

No seu pequeno círculo (família, professores, conhecidos) todos diabolizam os judeus e defendem a Solução Final dos nazis para livrar os alemães do perigo judeu. Mas o único judeu que Bruno conhece é seu amigo... O ódio instigado pelo sistema nazi não fazia qualquer sentido numa criança de 7 anos que via naquele "rapaz de pijama às riscas" um amigo igual a ele. O livro termina de forma dramática fazendo os pais de Bruno pagar caro pelo ódio instigado.

Depois do jogo Sporting Braga-Benfica, que por si fica marcado por algumas situações tristes (apagões, entradas à margem da lei, penalties não assinalados), houve referências a comentários racistas por parte de Javi Garcia. Ontem um rapaz, adepto do Benfica e vestido a rigor foi impedido de assistir a um evento onde estavam elementos do Sporting de Braga por considerarem a sua presença uma provocação...

Tudo alimentado por um ódio quase de morte ao Benfica... Quem vive pela espada, morre pela espada diz o povo. Não vale a pena avisar estes aprendizes de feiticeiro para que tenham cuidado com os ventos que semeiam em nome de uma rivalidade que nem sequer é real...

Aos dirigentes que fomentam estas atitudes, que vivem sob a égide do medo e do ódio, leiam ou vejam o filme "O Rapaz do Pijama às Riscas". Porque um dia isto dá mau resultado e não se livram do remorso...

M.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A primeira vez...


Não, obviamente não me vou debruçar aqui sobre "essa" primeira vez...

Falo-vos da memória mais distante que tenho do Sport Lisboa e Benfica. Não foi um jogo a que tenha assistido mas um treino das camadas jovens.

Devia ter 3 ou 4 anos, não mais e fui com o meu pai ao antigo Estádio da Luz. Não tinha as comodidades de um estádio actual, nem sequer as que chegou a ter nos últimos anos antes da demolição. Não tenho muitas memórias desse dia mas lembro-me de ser manhã e tudo ali me parecer mágico e grande, muito grande!

Não havia "visitas ao estádio" como acontece hoje, não existiam "megastores" nem zonas comerciais... Quanto muito um café e já era muito!

Os campos onde treinavam/jogavam as equipas jovens eram pelados (!), com aquele piso em gravilha que no Inverno se tornava lama castanha eno Verão levantava um pó quase irrespirável... Se alguém cometia o erro de cair, tropeçar ou atirar-se para o chão podia ter garantido um rasgão nos joelhos ou nos cotovelos.

E a imagem que ainda hoje guardo é a de Eusébio no meio dos miúdos a mostrar como se devia fazer, de fato de treino a orientar os futuros craques... Quis nesse momento tanto estar ali no meio deles... Os putos olhavam para aquele ídolo com total dedicação e bebiam cada palavra com admiração

Desde esse dia, que me lembre, nunca quis ser de outro clube... Na escola, com os amigos e em família, ser do Benfica era a coisa mais natural do mundo, mesmo quando algumas das minhas referências puxavam a outra cor, isso era inegociável.

Fui o Bento na baliza, o Carlos Manuel a rematar de longe, o Chalana a sprintar nas alas em mágicas fintas, o Diamantino no último passe para golo, o Jordão ou o Rui Águas a cabecear para o golo, o Mozer a dominar no meio da defesa. Venci Taças de Portugal e Campeonatos em 30 minutos de recreio (mas 30 minutos "à Benfica"). Voltei a casa com as botas ortopédicas numa lástima (que me valiam pelo menos um suspiro de desespero da minha mãe...) mas com a certeza que tinha feito o jogo da minha vida!

Ontem como hoje, ser do Benfica entranha-se em nós como algo inseparável. Pode-se mudar muita coisa na nossa vida mas deste clube...nunca! Orgulho no vermelho, na águia e na ideia comum a todos nós que somos os maiores do mundo. Há dúvidas?


M.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Once more into the breach, my friends!



"Once more unto the breach, dear friends, once more;
Or close the wall up with our English dead.
In peace there's nothing so becomes a man
As modest stillness and humility:
But when the blast of war blows in our ears,
Then imitate the action of the tiger;”
“Henrique V”, 3º Acto, Cena I - William Shakespeare



Durante a Guerra dos 100 Anos (1337 a 1453) entre ingleses e franceses, o Rei Henrique V (1386-1422) de Inglaterra reuniu um vastíssimo exército que, desembarcado na Normandia, permitir-lhe ia bater os franceses e reclamar o trono de França.
Os Franceses, em desvantagem numérica e vendo aquela força tremenda, abandonaram a guerra aberta e refugiaram-se nas suas cidades fortificadas, optando por tácticas de guerrilha.
Sem inimigo para combater directamente, Henrique V foi obrigado a cercar a cidade de Harfleur. Durante semanas o seu exército poderoso foi sendo desgastado numa guerra de cerco para a qual estava pouco preparado. A doença e o cansaço apoderaram-se das tropas. No auge da batalha e quando tudo parecia incerto, Henrique proferiu aquelas palavras e com aquele discurso moralizou as tropas que finalmente conquistaram a praça-forte francesa.
Algumas semanas mais tarde e novamente numa situação desesperada, os ingleses com os seus poderosos arcos bateram a pesada cavalaria francesa na batalha de Azincourt. E Henrique pôde regressar vitorioso a casa, com o trono de França garantido.
Para antecipar o primeiro jogo de campeonato não encontro analogia mais feliz com o momento que vivemos no Benfica. Temos um conjunto de jogadores fenomenais que em teoria, bate qualquer equipa do campeonato português. Para sermos equipa precisamos de mais tempo, para integrar novos jogadores e adaptar o conjunto às capacidades de cada um deles. Mas numa luta igual, não ficamos atrás de ninguém. Ora acontece que, tirando o FC Porto, nenhuma equipa comete a loucura de enfrentar, de igual para igual, o Benfica. Vão refugiar-se nas suas “muralhas”, defender o mais possível e espreitar o contra-ataque aproveitando algum desequilíbrio do momento. Quando estivermos cansados, fatigados e com menos atenção irão procurar desferir os seus golpes.
A força e a Mística da equipa não se vê quando começa o jogo ou quando somos 11 contra 10. É quando tudo parece incerto, quando jogamos com menos um jogador e ganhamos, quando estamos empatados para lá dos 90 minutos e marcamos. Aí sim, descobre-se a raça de que somos feitos!
Amanhã, quando entrarmos em campo contra o Gil Vicente, começamos uma longa guerra de 30 batalhas. 2700 minutos, 90 pontos possíveis contra 15 equipas que, contra o Benfica, se ultrapassam em esforço e capacidade. Somos o alvo a abater por todos. Vamos enfrentar estádios hostis, relvados com poucas condições, calor, chuva, frio e vento. Vamos ter árbitros maus e menos maus, outros assim-assim… Mas se em cada jogo formos humildes, lutadores, guerreiros, se colocarmos em campo a Mística do Benfica, os nossos valores e o que sabemos fazer melhor então ninguém nos vai parar.
Sou muito crítico das arbitragens e quem jogou futebol sabe que a acção de um árbitro pode desequilibrar uma partida mesmo sem se “enganar” nos critérios técnicos e disciplinares. Estou convencido que vamos ter muito que falar este ano sobre árbitros. Mas uma equipa que joga muito bem e marca mais 2 ou 3 golos por jogo que o seu adversário ultrapassa qualquer má arbitragem.
“Once more unto the breach, dear friends, once more…”   

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Do Minho até Timor (e mais além)

Para justificar a guerra contra os movimentos de libertação nas antigas colónias portuguesas, a propaganda do Estado Novo criou a frase "do Minho até Timor" com o objectivo de mostrar um país único apesar das distâncias e diferenças culturais.

O rolo compressor da História veio mostrar que o "todo o mundo é composto de mudança" e não se compadece com impérios de papel. Mais do que qualquer ex-colónia,  Timor (Lorosae ou Timor-Leste, como quiserem chamar) sofreu as consequências de uma colonização demasiado longa e de uma descolonização desastrosa. No auge de uma Guerra Fria feita de guerras por procuração, a Indonésia (com apoio dos EUA e da Austrália) invadiu o território em 1975 e levou a cabo, durante 24 anos, uma ocupação sangrenta na tentativa de calar a resistência de um povo abandonado por todos (inclusive Portugal durante algum tempo).

No jardim de infância tive um colega timorense que se chamava Flávio (se a memória a esta distância não me atraiçoa). Tímido, de poucas falas, tinha uns olhos enormes que falavam e exprimiam o que muitas vezes não dizia. Vivia com a família numa barraca que, junto ao rio Jamor, formava uma pequena comunidade de timorenses, refugiados num país que chamavam seu mas que, em 1980, os considerava párias. Flávio tinha uma camisola vermelha do Benfica que usava muitas vezes, mais do que os pais gostariam mas menos que as que ele queria. Tinha poucas coisas com que se orgulhar por viver onde vivia e por não poder voltar para Timor, como era desejo dos seus familiares. Mas aquela camisola era uma delas! Mesmo quando chovia o fazia mais frio, o Flávio aparecia com aquela camisola e era o centro das nossas atenções.

Com o referendo em 1999 e com a libertação do domínio indonésio, chegaram ao exterior histórias inacreditáveis, simples de pessoas que para sobreviver ao opressor durante tanto tempo se agarraram ao que podiam na ténue esperança de um dia serem livres. Muitos encontraram conforto na igreja e na fé, outros ao facto de serem e considerarem-se portugueses. Quando as bandeiras de Timor, da UDT e mesmo de Portugal foram banidas pelo invasor, alguns timorenses penduravam na parede bandeiras vermelhas com a águia do Benfica como referência ao passado e para desafiarem os indonésios.

Em 2010, uma comitiva do Benfica deslocou-se a Timor em resposta a um convite do Presidente Ramos Horta. O objectivo foi re-fundar o Sport Dili e Benfica e ajudar a que este clube possa crescer à par de Timor-Lorosae. A reacção dos timorenses foi tremenda e festejaram a presença de Luís Filipe Vieira, Nuno Gomes e outros, como poucas vezes aconteceu naquele território. A dimensão e a responsabilidade do Sport Lisboa e Benfica também se vê nestas ocasiões, mostrando a todos o que somos e o quanto nos une como comunidade.

Nunca mais me cruzei com Flávio mas quero acreditar que voltou ao seu país e hoje trabalha por um futuro melhor em Timor. Imagino-o a acenar à comitiva do Sport Lisboa e Benfica quando esta passou. E nos seus ombros uma criança, seu filho talvez, veste a tal camisola vermelha do Benfica que tanto orgulho lhe dava nos tristes dias de escola...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Na Arte da Guerra



"Toda a guerra é baseada na dissimulação.
Assim, quando capazes de atacar, devemos parecer incapazes; ao utilizar nossas forças, devemos parecer inativos; quando estamos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe, quando longe, devemos fazê-lo acreditar que estamos perto." SUN TZU - "A Arte da Guerra"

Aconselho a todos a leitura da entrevista de Luís Filipe Vieira à Revista Única do Expresso. Finalmente o presidente do Benfica percebeu como lutar contra os nossos adversários (e não inimigos como muitos querem fazer parecer). Contra quem age à margem da lei, temos que ser (e parecer) limpos, contra quem domina o sistema, temos que denunciar os podres e mostrar, em campo, que somos melhores. Contra quem ganha há 25 anos como nenhum outro, temos que ser ainda melhores! Não há volta a dar, por muitos argumentos contra o "Sistema", o Porto tem ganho (bem ou mal, não me interessa). Porque ver os problemas apenas fora do Benfica é não enfrentar as nossas fraquezas. E temos tido demasiadas nos últimos anos...

Devemos apoiar-nos na nossa dimensão para saltarmos mais longe. É com cada vez mais sócios, cada vez mais receitas, cada vez mais apoiantes que conseguimos construir equipas competitivas não apenas no curto-prazo mas também a médio prazo. Mas se por um lado precisamos deste esforço para ter argumentos (jogadores, terinadores, staff de qualidade), há que encontrar um rumo, uma estratégia de longo prazo. E que a meu ver, está a ser (bem) conseguida:
1) Conseguir extrair real valor de bens que estão a ser desperdiçados (por erros passados) como as transmissões televisivas, com realce para a Benfica TV como alavanca presente e futura
2) Apostar na formação como principa fonte de jogadores para a equipa principal. Ainda não estamos neste patamar mas há sinais que a fonte, outrora seca, começa a correr novamente com cada vez mais valores a despontar.

Somos muitas vezes criticados por "vivermos no passado" e não sermos um clube com títulos recentes. Estas afirmações não andam longe da verdade mas qualquer outro clube que tivesse passado pelo que nós passámos nos últimos 20 anos estaria certamente na falência. É nas referências do passado que temos que encontrar exemplos, é na Nossa Mística que conseguimos inspiração...para ganharmos o presente.

terça-feira, 26 de julho de 2011

"Os Turcos estão a chegar!!!"


Alguns sociólogos e antropólogos consideram que o futebol é uma manifestação moderna de fenómenos associados às guerras nos seus elementos mais básicos. No fundo hoje transferimos para o futebol, em termos de comportamentos sociais, o que antigamente se fazia quando havia uma batalha ou uma Guerra.

Nos dias que correm Portugal e a Turquia, embora em extremos opostos da Europa, são aliados na NATO e, contam com algumas décadas de colaboração e cooperação. Somos amigos, apesar das diferenças...

Mas nem sempre foi assim! Desde o século XV e até meados do século XVIII foram vários os conflitos abertos entre o Reino de Portugal e o então Império Otomano.
Antes dos portugueses imporem, pela força das armas, a presença portuguesa no Oceano Índico o comércio das especiarias, pelas rotas mediterrânicas, era dominado pelos Otomanos. As naus da Cruz de Cristo impuseram um novo domínio, conquistando pontos estratégicos (Goa, Ormuz, Malaca, entre outros) que permitiram o controlo dos principais pontos de origem e comércio daqueles produtos. Vendo o seu domínio posto em causa, da Etiópia a Malaca, passando pelo Golfo Pérsico, os turcos tudo fizeram para contrariar e destruir as pretensões dos portugueses e seus aliados. Passámos os restantes 3 séculos em combates marítimos e terrestres com os Otomanos, numa altura em que o grito “Os Turcos estão a chegar!!!” era suficiente para nos pôr os sentidos em alerta, prontos para a batalha.

Já não estamos em guerra com o Império Otomano mas amanhã, quando soar o apito para o jogo da 1ª Mão da 3ª Pré-Eliminatória da Champions League entre o Sport Lisboa e Benfica e o Trabzonspor vai voltar a ouvir-se “Os Turcos estão a chegar”.
Como o Gama ou o Albuquerque, nas suas naus de outros tempos, amanhã vamos navegar para a vitória. E, sem feridos nem mortos, vai ser uma batalha em campo onde vai valer tudo, dentro das regras, para ganhar aos Otomanos. Novamente!!!