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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O meu cachecol vermelho


Foi na década de 90 que comecei a ir regularmente a futebol. Por iniciativa do meu pai, tornámo-nos sócios e 1991 e desde então, com maior ou menor regularidade tenho marcado presença no Estádio de Luz.
Por essa altura a minha avó, a pedido meu, fez-me um cachecol vermelho e branco. Absolutamente simples sem qualquer palavra. Apenas listas vermelhas e brancas com umas franjas nas pontas. E mesmo não fazendo qualquer referência ao Sport Lisboa e Benfica aquele era o meu cachecol, mais ninguém tinha um daqueles!

Fazia-me lembrar as longas férias de Verão no Alentejo em casa dos meus avós. As tardes de calor sufocante passadas na cozinha a fazer bolos e biscoitos, com a minha avó a deixar doses generosas de massa nos alguidares e colheres para eu me "alambazar". Os dias (quase) intermináveis de ficar a brincar na rua até mesmo em cima da hora do jantar. E as discussões com o meu avô, adepto do FC Porto (um alentejano de gema a puxar por aquela equipa???), em que a minha avó, sem perceber nada de bola, alinhava sempre pelo neto...

Então quando comecei a ir à bola, a minha avó fez-me um cachecol. Que mesmo sem ser bonito, era para mim o melhor cachecol do mundo. Usado com muito orgulho durante aqueles negros anos em que pouco orgulho as equipas do Benfica nos davam...

Depois o tempo passou, o cachecol ficou velho, russo e demasiado esticado para ser usado facilmente. À medida que o Benfica foi ganhando mais, fui-me esquecendo dele para o substituir por um "moderno" com o nome do Benfica, preto e vermelho...

Hoje a minha avó, quase com 90 Primaveras, já não se lembra das conversas sobre o Benfica nem do cachecol que via o neto usar com tanto orgulho, como se um pouco dela fosse ao futebol nos dias de jogo. Por vezes já não se lembra também de mim porque a idade e as agruras da vida não perdoam e fazem esquecer muito dessa vida (se calhar é melhor assim).

Mas eu não me importo, avó! Porque esta 6ª-Feira vou ver o Benfica-Porto. E levo o teu cachecol pela última vez... E quando voltar a casa, com a vitória no bolso, imagino-me a discutir contigo e com o avô o jogo em torno de um prato de biscoitos. Se alguma lágrima rolar, limpo-a com o teu cachecol como fazia quando perdíamos...

M

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Quem não tem memória não tem futuro: Dois "Monstros" Sagrados!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

2º Almoço Cosme Damião

 
"From this day to the ending of the world,
But we in it shall be remember'd;
We few, we happy few, we band of brothers;
For he to-day that sheds his blood with me
Shall be my brother;"

William Shakespeare - Henry V


 
O mais perto possível da data de nascimento do fundador do Sport Lisboa e Benfica, Júlio Cosme Damião, realizou-se, este fim de semana, em Belém um almoço de homenagem e de convívio entre benfiquistas.

Estiveram presentes algumas antigas e recentes glórias do nosso clube num momento de celebração, exaltação e respeito pelo nosso passado, valores e herança comum. E muitos anónimos adeptos encarnados com pouco em comum entre si para além da partilha dos valores e dos princípios que nos são comuns desde a data de fundação do Sport Lisboa, em 1904!

Para a História, fica a homenagem ao fundador no local da sua morada eterna, a visita aos locais de fundação do Sport Lisboa, o Laboratório-Farmácia Franco, onde um pequeno grupo de antigos alunos da Casa Pia formou aquele clube que hoje é um dos maiores do mundo.

A quem participou um obrigado pelo momento que ali se viveu. Um cumprimento especial aos antigos jogadores presentes, em especial ao Toni pela sua simpatia e boa disposição. Só alguém muito atento a universo benfiquista consegue entender o alcance de grupos como o nosso e do seu significado para a manutenção da Mística do Sport Lisboa e Benfica!

M.
Mesmo conhecendo pessoalmente apenas uma ou outra pessoa,

domingo, 23 de outubro de 2011

Momentos BENFICA

A primeira vez que tive cativo, éramos um grupo de 11, creio. Eu era a única representante do sexo feminino. Aturar 10 gajos não era difícil, exceptuando pelo cheiro a cerveja ao intervalo. Tirando dois deles, sogro e genro, que se sentavam sempre juntos, todos os demais iam sempre munidos de phones, logo eu via literalmente o jogo sozinha. Ninguém me ligava importância. Mesmo estando nós sentados no antigo 3º anel, quando havia um golo e eu nem conseguia distinguir quem marcava, acham que partilhavam a informação saída dos mini rádios foleiros? Pois... começavam a festa e eu era um alien!

Fartei-me. Tinha que subir 1.000 degraus, para ver mal e aturar 90 minutos de profunda inexistência. E como tenho pavor de descer escadas nem no intervalo me levantava. 

Depois tive cativo no Piso 0. Bliss. Nada de escadas. Campo de visão amplo. Dava para chatear o Nelson como se ele tivesse ali mesmo ao pé de mim, dava para identificar os jogadores pelo nome na camisola. Já socializava com os meus amigos que estavam na bancada atrás (um deles ouve phones mas é indiferente, socializa à mesma, uma pessoa como deve ser), mas o meu Moço, enfiava as mãos nos bolsos da sweater, auscultadores na orelha e impávido o jogo todo. C' um caraças, que turn off.

Com a crise, agora vejo os jogos do sofá e já é uma sorte haver Sport TV cá em casa. Vejo há mesma "sozinha". O gajo mete os auscultadores XPTO wi-fi que EU lhe ofereci e nem ai, nem ui. 

Explicação: para conseguir ouvir o relato. Que os meus comentários o impedem. Porra, mas há algum comentário de algum jornalista desportivo que valha a pena ouvir? E que tenham menos valor que uma observação, sempre pertinente, da euzinha?

Gajos!!!! Cambada!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Na Arte da Guerra



"Toda a guerra é baseada na dissimulação.
Assim, quando capazes de atacar, devemos parecer incapazes; ao utilizar nossas forças, devemos parecer inativos; quando estamos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe, quando longe, devemos fazê-lo acreditar que estamos perto." SUN TZU - "A Arte da Guerra"

Aconselho a todos a leitura da entrevista de Luís Filipe Vieira à Revista Única do Expresso. Finalmente o presidente do Benfica percebeu como lutar contra os nossos adversários (e não inimigos como muitos querem fazer parecer). Contra quem age à margem da lei, temos que ser (e parecer) limpos, contra quem domina o sistema, temos que denunciar os podres e mostrar, em campo, que somos melhores. Contra quem ganha há 25 anos como nenhum outro, temos que ser ainda melhores! Não há volta a dar, por muitos argumentos contra o "Sistema", o Porto tem ganho (bem ou mal, não me interessa). Porque ver os problemas apenas fora do Benfica é não enfrentar as nossas fraquezas. E temos tido demasiadas nos últimos anos...

Devemos apoiar-nos na nossa dimensão para saltarmos mais longe. É com cada vez mais sócios, cada vez mais receitas, cada vez mais apoiantes que conseguimos construir equipas competitivas não apenas no curto-prazo mas também a médio prazo. Mas se por um lado precisamos deste esforço para ter argumentos (jogadores, terinadores, staff de qualidade), há que encontrar um rumo, uma estratégia de longo prazo. E que a meu ver, está a ser (bem) conseguida:
1) Conseguir extrair real valor de bens que estão a ser desperdiçados (por erros passados) como as transmissões televisivas, com realce para a Benfica TV como alavanca presente e futura
2) Apostar na formação como principa fonte de jogadores para a equipa principal. Ainda não estamos neste patamar mas há sinais que a fonte, outrora seca, começa a correr novamente com cada vez mais valores a despontar.

Somos muitas vezes criticados por "vivermos no passado" e não sermos um clube com títulos recentes. Estas afirmações não andam longe da verdade mas qualquer outro clube que tivesse passado pelo que nós passámos nos últimos 20 anos estaria certamente na falência. É nas referências do passado que temos que encontrar exemplos, é na Nossa Mística que conseguimos inspiração...para ganharmos o presente.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Mística do Estádio da Luz



Tal como as pessoas, cada lugar tem a sua alma feita do tempo, da história, das emoções que aí se viveram. Por exemplo, uma catedral do Séc. XII carrega em si tudo o que nela aconteceu em anos e anos de história e estórias.

O mesmo se passa com um estádio de futebol. Em Wembley, Nou Camp ou no Santiago Bernabeu sente-se o peso do passado, das vitórias, as emoções e da Mística em cada momento. Por isso quando o antigo Estádio da Luz foi abaixo, muitos dos que se habituaram a ver futebol naquela catedral deixaram de "ir à bola". Sentia-se essa alma assim que entrávamos naquele palco dos sonhos. Pouco importava se nos sentávamos na pedra fria ou à chuva no Inverno sem qualquer comodidade. Ali tinham jogado Eusébio, Águas, Coluna, Torres, Simões, Humberto, Artur Jorge, Toni, Néne, Diamantino, Chalana, Bento, entre tantos outros. Sentia-se o peso, aquele era "o" Inferno Vermelho.
O novo Estádio da Luz ainda não é assim...falta-lhe essa alma feita de tempo, grandes vitórias, emoções ao rubro. Sendo novo, tem todas as condições para ver futebol mas falta-lhe o peso de um percurso de vitórias consistente que ainda não existe.

Por isso gosto de acreditar que sempre que o Benfica joga em casa, para compensar essa falta de Mística, as antigas glórias que já não estão neste mundo se reunem. Sentam-se na ponta da pala por cima do relvado e ali ficam durante os 90 minutos a ver o jogo como nós. Puxam pela equipa, falam do árbitro, do onze inicial, discutem a táctica e o que fariam se jogassem. Como Statler e Waldorf, dos Marretas, maldizem os de agora, o futebol-negócio de hoje, os jogadores mercenários. os treinadores matreiros e a falta de Mística. Mas no fundo sentem  inveja daqueles que ainda podem, na sua pálida juventude, jogar. Fecham os olhos e pensam no seu tempo, nos seus jogos, dizem que antigamente é que era e os olhos brilham de saudade. Mas sofrem como nós, ali sentados.

Quando termina um jogo, lá fazem os seus comentários finais, despedem-se uns dos outros ("Até à próxima!") e vão à sua vida... Como nós uns ficam mais tempo que outros, o tempo que demora a ir e voltar às memórias passadas.

Esta Quarta, antes do jogo, o Sol punha-se por detrás da pala e naquela luz que irradiava tenho a certeza que mais uma vez os vi ali, à espera, na antecipação do jogo... Parte da vitória também se deve a eles!